Uma visita sem conteúdo e um Governo sem respeito

PS Açores - Há 10 horas

A recente visita estatutária do Governo Regional à ilha do Pico voltou a confirmar aquilo que já é evidente para todos: tratou-se de um exercício protocolar, vazio de propostas concretas, sem rumo estratégico e sem respostas para as necessidades reais das populações.
Mais grave foi a forma como o Executivo se comportou perante a Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, revelando um estilo político que pouco contribui para dignificar a Autonomia e que fica aquém do respeito institucional que deve pautar a relação entre o Governo e o poder local.
As perguntas colocadas pela autarca — nomeadamente sobre os valores dos fundos comunitários do PO 2030 e do MAR 2030 destinados ao concelho das Lajes do Pico — representavam reivindicações legítimas e correspondem às expectativas da população lajense. No entanto, foram tratadas como incómodas.
Esse incómodo revela mais sobre o Governo do que sobre quem questiona: quando uma autarca que defende o seu concelho é vista como inconveniente, o problema não está em quem pergunta, mas em quem não quer responder.
A Presidente da Câmara não estava a criar polémicas. Estava a cumprir o seu dever institucional: defender o concelho, exigir transparência e reclamar aquilo a que a população tem direito.
Entretanto, obras estruturantes continuam sem resposta. A beneficiação do Porto de São Caetano, as intervenções decorrentes do furacão “Lorenzo” — como a reabilitação do molhe do Porto das Ribeiras e a recuperação do muro do Lajido da Criação Velha —, a impermeabilização da Lagoa do Paúl das Lajes, as obras no Matadouro ou até a simples eletrificação do Porto de Pesca das Lajes continuam fora das prioridades do Executivo.
Também na área da pesca persistem as ausências: não há casas de aprestos, não há posto de recolha e não há qualquer medida concreta para apoiar quem vive desta atividade fundamental para a economia local.
Esta falta de respostas revela mais do que desorganização ou ausência de planeamento. Mostra um Governo que procura esconder as dificuldades das contas públicas atrás de anúncios repetidos do PRR — sempre os mesmos, sempre reciclados e sempre insuficientes para responder às necessidades da ilha.
No final, a visita serviu apenas para cumprir calendário. Não trouxe novidades, não apresentou soluções e acabou por expor a incapacidade do Governo em assumir uma postura institucional adequada no relacionamento com o município.
Os Picarotos merecem mais do que visitas rápidas para fotografias e discursos repetidos. Merecem respeito, respostas claras e compromissos concretos para o futuro da ilha.